Simples brincadeiras, ou não...

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Com onze anos passei por aquele momento pelo qual todas as garotas passam: a hora de "virar mocinha". Porém, isso nem de longe foi algo bom, e sim a porta de entrada para um dos períodos mais chatos da minha vida, até o momento.
Não me recordo muito bem de antes, mas foi neste período que as "zoações familiares" tornaram-se mais fortes do que nunca, ou foi quando realmente comecei a me importar com aquilo. Justamente no momento em que eu estava passando não só por mudanças físicas, mas também mentais, pessoas próximas de mim começaram a caçoar da situação. Quando tomaram conhecimento do que estava se passando comigo, começaram a me chamar de "sem sangue". Ficava nervosa diante daquilo, e meu nervosismo, infelizmente, é notável, e isso foi o bastante para os comentários maldosos aumentarem. Apelidos como "vassourinha" e "cabelo de palha" se tornaram comuns, não só por parte de meu irmão, mas de meu pai também.
Caçoavam do fato do meu cabelo ser cacheado, de eu ser magra, do meu modo de me vestir e de andar também. Eu não andava de um modo estranho diante deles antes de começar a me sentir desconfortável e insegura. A insegurança me causa me causa coisas do tipo. 
As brincadeirinhas de mal gosto perduraram durante um bom tempo, já não suportava mais. Aquilo foi capaz de mexer com minha mente. Minha magreza, que antes não me importava, agora passava a atormentar meus pensamentos, passei a desejar ter um cabelo liso, e na primeira oportunidade que tivesse, deixaria os cachos de lado. Minhas roupas, que nunca representaram grande coisa para mim, passaram a ter mais importância. As comparações feitas em relação a minha prima faziam com que eu me sentisse cada vez mais inferior e insuficiente diante das demais garotas.