Com onze anos passei por aquele momento pelo qual todas as garotas passam: a hora de "virar mocinha". Porém, isso nem de longe foi algo bom, e sim a porta de entrada para um dos períodos mais chatos da minha vida, até o momento.
Não me recordo muito bem de antes, mas foi neste período que as "zoações familiares" tornaram-se mais fortes do que nunca, ou foi quando realmente comecei a me importar com aquilo. Justamente no momento em que eu estava passando não só por mudanças físicas, mas também mentais, pessoas próximas de mim começaram a caçoar da situação. Quando tomaram conhecimento do que estava se passando comigo, começaram a me chamar de "sem sangue". Ficava nervosa diante daquilo, e meu nervosismo, infelizmente, é notável, e isso foi o bastante para os comentários maldosos aumentarem. Apelidos como "vassourinha" e "cabelo de palha" se tornaram comuns, não só por parte de meu irmão, mas de meu pai também.
Caçoavam do fato do meu cabelo ser cacheado, de eu ser magra, do meu modo de me vestir e de andar também. Eu não andava de um modo estranho diante deles antes de começar a me sentir desconfortável e insegura. A insegurança me causa me causa coisas do tipo.
As brincadeirinhas de mal gosto perduraram durante um bom tempo, já não suportava mais. Aquilo foi capaz de mexer com minha mente. Minha magreza, que antes não me importava, agora passava a atormentar meus pensamentos, passei a desejar ter um cabelo liso, e na primeira oportunidade que tivesse, deixaria os cachos de lado. Minhas roupas, que nunca representaram grande coisa para mim, passaram a ter mais importância. As comparações feitas em relação a minha prima faziam com que eu me sentisse cada vez mais inferior e insuficiente diante das demais garotas.
Não queria dizer a ninguém que aquilo me incomodava, me magoava, que doía certos comentários virem da minha família, justo onde mais me sentia segura e protegida, gostaria que percebessem o mal que me causavam por si mesmos, e parassem. Porém, isto não ocorreu. Mas as coisas vieram a mudar quando, como forma de me defender de mais uma brincadeira, mandei meu pai calar a boca. Sim, disse a meu próprio pai para calar a boca, e imagino o quão doloroso deve ser para um pai ouvir isso de sua filha. E por mais incrível que pareça, me senti um pouco feliz em ter feito aquilo, foi como se eu houvesse dado a ele um bocado da dor que ele me causou, e foi com este ato de criança mal criada que me livrei das brincadeiras, pelo menos das que vinham da parte de meu pai, as mais doloridas. Nunca me importei muito com o fato de meu irmão caçoar de mim. Me irrita? Sim, MUITO, mas entendo que isso faz parte da relação entre irmãos, pelos menos da nossa. Apesar disso, nunca deixei de me magoar as vezes.
Hoje, minhas relações familiares mudaram bastante, e acho que dentre todas as razões, essas já citadas talvez foram as que mais contribuíram para que isso viesse a acontecer. Passei a ter vergonha de meus próprios pais, não me expresso com ninguém. Já tentei fazê-lo com amigos, mas acho que ninguém se importa com os problemas e conflitos internos alheios quando possuem os seus próprios para resolver. Praticamente não falo com meu pai, e as horas que passo de boca fechada em casa são muitas. Sempre fui bastante tímida, mas acho que me comunicava mais com meus pais antigamente.
As vezes me pego pensando que, se eu não houvesse dado tanta importância a brincadeirinhas toscas, hoje as coisas poderiam ser diferentes. Será que realmente seriam? Gostaria de saber, embora agora eu já não me importe muito. I Don't Care.
Talvez o texto pareça bobo e um pouco (ou muito) dramático, mas estes são sentimentos que sempre carreguei comigo, e que nunca permiti que alguém tivesse acesso á eles. Me sinto aliviada de finalmente tê-los expressado. Espero que a leitura não esteja muito maçante, e agradeço aos que leram até aqui :)
PS: peço desculpas por estar desaparecida em seus blogs, mas aos poucos apareço em cada um, lendo e comentando suas postagens :)

Com onze anos passei por aquele momento pelo qual todas as garotas passam: a hora de "virar mocinha". Porém, isso nem de longe foi algo bom, e sim a porta de entrada para um dos períodos mais chatos da minha vida, até o momento.
ResponderExcluirNão me recordo muito bem de antes, mas foi neste período que as "zoações familiares" tornaram-se mais fortes do que nunca, ou foi quando realmente comecei a me importar com aquilo. Justamente no momento em que eu estava passando não só por mudanças físicas, mas também mentais, pessoas próximas de mim começaram a caçoar da situação. Quando tomaram conhecimento do que estava se passando comigo, começaram a me chamar de "sem sangue". Ficava nervosa diante daquilo, e meu nervosismo, infelizmente, é notável, e isso foi o bastante para os comentários maldosos aumentarem. Apelidos como "vassourinha" e "cabelo de palha" se tornaram comuns, não só por parte de meu irmão, mas de meu pai também.
Caçoavam do fato do meu cabelo ser cacheado, de eu ser magra, do meu modo de me vestir e de andar também. Eu não andava de um modo estranho diante deles antes de começar a me sentir desconfortável e insegura. A insegurança me causa me causa coisas do tipo.
As brincadeirinhas de mal gosto perduraram durante um bom tempo, já não suportava mais. Aquilo foi capaz de mexer com minha mente. Minha magreza, que antes não me importava, agora passava a atormentar meus pensamentos, passei a desejar ter um cabelo liso, e na primeira oportunidade que tivesse, deixaria os cachos de lado. Minhas roupas, que nunca representaram grande coisa para mim, passaram a ter mais importância. As comparações feitas em relação a minha prima faziam com que eu me sentisse cada vez mais inferior e insuficiente diante das demais garotas.
Não queria dizer a ninguém que aquilo me incomodava, me magoava, que doía certos comentários virem da minha família, justo onde mais me sentia segura e protegida, gostaria que percebessem o mal que me causavam por si mesmos, e parassem. Porém, isto não ocorreu. Mas as coisas vieram a mudar quando, como forma de me defender de mais uma brincadeira, mandei meu pai calar a boca. Sim, disse a meu próprio pai para calar a boca, e imagino o quão doloroso deve ser para um pai ouvir isso de sua filha. E por mais incrível que pareça, me senti um pouco feliz em ter feito aquilo, foi como se eu houvesse dado a ele um bocado da dor que ele me causou, e foi com este ato de criança mal criada que me livrei das brincadeiras, pelo menos das que vinham da parte de meu pai, as mais doloridas. Nunca me importei muito com o fato de meu irmão caçoar de mim.
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